O sonho na sessão: uso clínico da interpretação e os limites do procedimento psicanalítico
Palavras-chave:
interpretação dos sonhos, técnica psicanalítica, associação livre, transferência, contratransferênciaResumo
Este artigo examina o uso clínico do sonho na sessão psicanalítica, deslocando a questão do que o sonho significa para a de como se opera com ele quando um analisando o traz. Sustenta-se que a contribuição do procedimento freudiano não consiste em fornecer ao analista um repertório de equivalências simbólicas, mas em instituir uma regra de trabalho: o sentido do sonho só se produz pela associação do próprio sonhador, e nenhuma competência do analista a substitui. O percurso reconstitui a distinção entre conteúdo manifesto e conteúdo latente e as quatro operações do trabalho do sonho — condensação, deslocamento, consideração à figurabilidade e elaboração secundária —, extraindo de cada uma a restrição que impõe à conduta de quem escuta. Em seguida, examina três dimensões próprias da situação clínica: o endereçamento transferencial do relato, o estatuto da contratransferência como instrumento e os sonhos que não se deixam interpretar, seja pelo umbigo do sonho, seja pela repetição traumática, seja por falhas na capacidade de simbolizar. Por fim, delimita a leitura junguiana como tradição distinta e não combinável sem nomeação. Conclui-se que o valor clínico da interpretação é prospectivo: mede-se pelo trabalho associativo que desencadeia, não pela decifração que propõe.
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