O inconsciente e seus efeitos na vida cotidiana: formações do inconsciente, repetição e escuta fora do enquadre clínico
Palavras-chave:
inconsciente, formações do inconsciente, repetição, psicanálise e cotidiano, medicalizaçãoResumo
Este artigo examina o modo como o inconsciente se manifesta na vida cotidiana, fora do enquadre analítico, e o que a psicanálise autoriza concluir a partir dessas manifestações. O percurso reconstitui o estatuto metapsicológico do conceito em Freud — a hipótese do inconsciente como exigência imposta pelas lacunas da consciência, sua reformulação na segunda tópica —, examina as formações pelas quais ele se dá a ler no dia a dia (atos falhos, sonhos e repetição), acompanha a releitura lacaniana que situa o inconsciente na ordem da linguagem e no discurso do Outro, e discute o alcance e os limites da leitura psicanalítica do sintoma corporal. Em seguida, confronta esses desenvolvimentos com o diagnóstico contemporâneo do mal-estar e com a crítica à medicalização do sofrimento. Sustenta-se que o inconsciente é estruturante da subjetividade e não se restringe ao dispositivo clínico, mas que a leitura de suas formações fora da análise não produz interpretação nem conhecimento sobre sujeitos particulares. Argumenta-se, por fim, que o valor da escuta analítica no debate público reside menos em explicar comportamentos do que em recusar o apagamento do sintoma como expressão subjetiva.
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