Suicídio e a subjetividade em ruína: nexum, desejo e a falência simbólica
Palavras-chave:
Suicídio, Nexum, subjetividade, Teoria da Subjetividade Ético-Simbólica, escuta clínica, éticaResumo
Este artigo propõe uma releitura clínica e metapsicológica do suicídio a partir da Teoria da Subjetividade Ético-Simbólica (TSES), centrando-se no conceito de Nexum: a atuação final de uma subjetividade cuja estrutura simbólica colapsou. Recusando tanto a patologização psiquiátrica quanto a moralização terapêutica, defende-se aqui que o suicídio não é um desejo de morte, mas o efeito da falência dos vetores que sustentam o desejo como inscrição simbólica. Por meio da articulação entre os seis vetores do desejo (propósito, pertencimento, singularidade, transcendência, utilidade e finitude elaborada) e as instâncias simbólicas da subjetividade (Éthos, Mnémethos, Anima Pulsa e Egos), delineia-se uma clínica da linguagem em ruína, na qual o analista é convocado a escutar não o que o paciente quer dizer, mas o que não consegue mais sustentar como significável. O Nexum é descrito como uma implosão subjetiva que escapa ao campo da transferência, exigindo uma escuta trágica, ético-simbólica, fundada na sustentação da ausência. Ao final, propõe-se que o suicídio, quando escutado fora da lógica da prevenção, revela-se como grito ético de um sujeito em ruína — não como falha clínica, mas como interrogação última sobre o lugar do Outro.
Conflito de interesses
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