Ansiedade na infância e na adolescência: terapia cognitivo-comportamental e psicanálise e os limites da comparação
Palavras-chave:
ansiedade, angústia, terapia cognitivo-comportamental, psicanálise, infância e adolescênciaResumo
A ansiedade na infância e na adolescência tornou-se objeto de demanda crescente nos serviços de saúde mental, e com ela a pergunta sobre qual orientação terapêutica oferece melhor resposta. Este artigo examina comparativamente o que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e a psicanálise sustentam a respeito do sofrimento ansioso nessa faixa etária, e argumenta que a comparação direta entre as duas abordagens encontra limites que não são de ordem técnica, mas conceitual. Procede-se, em revisão narrativa de natureza teórico-conceitual, à reconstituição de cada modelo em seus próprios termos: de um lado, a formulação cognitiva do transtorno de ansiedade como produto de esquemas de ameaça e de evitação mantenedora; de outro, a elaboração freudiana da angústia como sinal do eu diante de um perigo interno, e seus desdobramentos na clínica com crianças. Distingue-se angústia, conceito estrutural da psicanálise, de transtorno de ansiedade, categoria diagnóstica do DSM-5 e da CID-11. Sustenta-se que as duas tradições não divergem apenas quanto ao método, mas quanto ao desfecho que consideram relevante, o que torna o cotejo de resultados menos informativo do que a literatura comparativa costuma supor. O artigo não constitui orientação de tratamento.
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