A psicanálise e o fenômeno da liderança: identificação, ideal do eu e os limites da transposição ao campo organizacional
Palavras-chave:
psicanálise, liderança, psicologia das massas, ideal do eu, identificaçãoResumo
Este artigo examina o fenômeno da liderança a partir da teoria psicanalítica, tomando como eixo a formulação de Psicologia das massas e análise do eu (1921), na qual Freud descreve o laço coletivo como efeito da colocação de um mesmo objeto no lugar do ideal do eu e da identificação recíproca que daí decorre. O percurso reconstitui a extensão da obra freudiana do campo clínico ao campo social, examina a estrutura do laço com a figura condutora e propõe três pares conceituais — transferência e contratransferência, projeção e introjeção, idealização e identificação — como operadores de leitura das relações entre quem dirige e quem é dirigido no mundo do trabalho. Sustenta-se que a contribuição da psicanálise a esse campo não consiste em acrescentar uma variável emocional ao repertório gerencial, mas em descrever uma dimensão do laço que a razão administrativa não alcança. Argumenta-se, por fim, que liderança como posição libidinal e liderança como competência de gestão são objetos distintos, submetidos a critérios distintos, e que a confusão entre os dois registros é o principal obstáculo à interlocução entre psicanálise e estudos organizacionais.
Referências
ARNAUD, G. The contribution of psychoanalysis to organization studies and management: an overview. Organization Studies, v. 33, n. 9, p. 1121-1135, 2012.
BESEN, F.; TECCHIO, E.; FIALHO, F. A. P. Liderança autêntica e a gestão do conhecimento. Gestão & Produção, v. 24, n. 1, p. 2-14, 2017.
CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 9. ed. Barueri: Manole, 2014.
ENRIQUEZ, E. Da horda ao Estado: psicanálise do vínculo social. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.
ENRIQUEZ, E. A organização em análise. Petrópolis: Vozes, 1997.
FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa (1936). Porto Alegre: Artmed, 2006.
FREUD, S. As perspectivas futuras da terapêutica psicanalítica (1910). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 11. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 125-136.
FREUD, S. A dinâmica da transferência (1912). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 12. Rio de Janeiro: Imago, 1996a. p. 109-119.
FREUD, S. Sobre o narcisismo: uma introdução (1914). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 14. Rio de Janeiro: Imago, 1996b. p. 77-108.
FREUD, S. O inconsciente (1915). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 14. Rio de Janeiro: Imago, 1996d. p. 165-222.
FREUD, S. Psicologia das massas e análise do eu (1921). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 18. Rio de Janeiro: Imago, 1996e. p. 77-154.
FREUD, S. O ego e o id (1923). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 19. Rio de Janeiro: Imago, 1996f. p. 13-80.
GAULEJAC, V. de. Gestão como doença social: ideologia, poder gerencialista e fragmentação social. Aparecida: Idéias & Letras, 2007.
KAËS, R. O grupo e o sujeito do grupo: elementos para uma teoria psicanalítica do grupo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.
LAPIERRE, L. (org.). Imaginário e liderança: na sociedade, no governo, nas empresas e na mídia. v. 1. São Paulo: Atlas, 1995.
LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J.-B. Vocabulário da psicanálise. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
LE BON, G. Psicologia das multidões (1895). São Paulo: WMF Martins Fontes, 2008.
ROBBINS, S. P.; JUDGE, T. A.; SOBRAL, F. Comportamento organizacional: teoria e prática no contexto brasileiro. 14. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010.
SAFATLE, V. O circuito dos afetos: corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2016.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Categorias
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Luciana Fátima Montozo Lima

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Termos da Licença
Todos os artigos publicados na Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais estão licenciados sob a:
Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional (CC BY-NC 4.0)
Isso significa que os autores mantêm os direitos autorais sobre suas obras e concedem à revista o direito exclusivo de primeira publicação, permitindo que terceiros compartilhem, distribuam e reutilizem o conteúdo, desde que:
Seja atribuída autoria apropriada, com citação clara da revista e dos autores;
O uso seja exclusivamente não comercial;
Em caso de adaptações ou transformações, a fonte original seja igualmente mencionada.
É expressamente vedado o uso comercial do conteúdo sem autorização prévia e por escrito dos autores e da equipe editorial da revista.
Citação recomendada:
SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, v. X, n. Y, p. XX–XX, mês/ano.
Disponível em: [link para o artigo].
Licenciado sob CC BY-NC 4.0.