A música como formação do inconsciente: escuta, sublimação e simbolização

Autores

  • Luiz Cesar Pereira da Cunha Psicanalista clínico, Brasil Autor

Palavras-chave:

música, inconsciente, sublimação, simbolização, estética psicanalítica

Resumo

Este ensaio examina a hipótese de que a canção pode ser lida como formação do inconsciente, ao lado do sonho, do chiste e do lapso, e discute o que essa aproximação permite e o que ela não autoriza afirmar. O percurso reconstitui quatro leituras psicanalíticas da experiência musical — a sublimação em Freud, o símbolo e a individuação em Jung, a voz como objeto e o real em Lacan, o espaço potencial e o objeto transicional em Winnicott — e as confronta com um conjunto reduzido de canções da música popular brasileira e da trilha de cinema, tomadas como material de análise textual e não como ilustração. Sustenta-se que a música opera sobre registros afetivos anteriores à palavra e que essa anterioridade, longe de conferir à escuta musical um acesso privilegiado ao recalcado, é exatamente o que torna suas interpretações menos controláveis. Conclui-se que a leitura psicanalítica de obras musicais produz hipóteses sobre a obra e sobre o intérprete que a escuta, não sobre a vida psíquica de seus autores, e que o rendimento clínico da proposta depende de manter essa distinção.

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Publicado

19/12/2025

Como Citar

A música como formação do inconsciente: escuta, sublimação e simbolização. (2025). Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, 3(2), 33-39. https://editorial.interapia.org/index.php/interapia/article/view/36

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