Música, memória afetiva e escuta psicanalítica na doença de Alzheimer: alcance e limites de um recurso terapêutico

Autores

  • Priscila Pedrobom Psicanalista clínica, Brasil Autor

Palavras-chave:

música, doença de Alzheimer, psicanálise, memória afetiva, musicoterapia

Resumo

Este artigo examina o uso da música no cuidado de pessoas com doença de Alzheimer sob a perspectiva psicanalítica, sustentando que a experiência musical oferece uma via de acesso a registros afetivos e identitários que permanecem disponíveis quando a linguagem verbal já não os alcança. O percurso reconstitui o quadro clínico da doença, retoma o estatuto ambíguo que a música ocupa na obra freudiana, examina a hipótese de que a canção funcione como suporte de memória afetiva e identidade, e confronta essa elaboração conceitual com o que a literatura empírica efetivamente sustenta. Argumenta-se que o campo autoriza afirmar benefícios sobre agitação, humor, engajamento e qualidade de vida, e não autoriza afirmar reversão do declínio cognitivo, preservação duradoura da memória ou efeito modificador do curso da doença. Distingue-se, além disso, a musicoterapia — intervenção conduzida por profissional habilitado, com objetivos e registro próprios — do uso recreativo de música em instituições de cuidado, prática legítima mas de outra natureza. Sustenta-se que a delimitação desse alcance não enfraquece a proposta clínica: é o que a torna sustentável diante de uma doença para a qual não há cura disponível.

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Publicado

20/06/2025

Como Citar

Música, memória afetiva e escuta psicanalítica na doença de Alzheimer: alcance e limites de um recurso terapêutico. (2025). Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, 3(1), 57-64. https://editorial.interapia.org/index.php/interapia/article/view/50

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