Éthos: estrutura ético-simbólica do desejo e organismo de mediação entre Anima Pulsa, Mnémethos e Egos
Palavras-chave:
Éthos, Anima Pulsa, Mnémethos, Nexum, subjetividade ética, clínica psicanalíticaResumo
Este artigo desenvolve o conceito de Éthos como estrutura ético-simbólica do desejo: um organismo interno de mediação, histórico e revisável, cuja função é avaliar a viabilidade simbólica do desejo emergente e convertê-lo, quando possível, em narrativa sustentável. A tese central é que o Éthos não é o supereu nem sua atualização. A distinção sustenta-se em confronto direto com o que Freud formula sobre o supereu em O eu e o id e em O mal-estar na civilização: as duas instâncias diferem no critério do juízo, no afeto característico e, sobretudo, no modo de falhar — o supereu falha por excesso, produzindo culpa; o Éthos falha por subtração, produzindo indiferença. Descreve-se a articulação do Éthos com a Anima Pulsa, matriz pré-simbólica do desejo, e com o Mnémethos, arquivo simbólico-moral organizado em três camadas (Páthos, Mímesis e Phántasma); relê-se a neurose como tentativa parcial de inscrição e não como erro a eliminar; e situa-se o Nexum como falência completa da mediação. Em diálogo delimitado com Ricoeur, Han e Butler, e em crítica à normatividade diagnóstica, propõe-se uma clínica ética centrada na sustentação simbólica do sujeito.
Conflito de interesses
O autor é proprietário da revista e integra o quadro da instituição mantenedora; declara não ter participado de nenhuma etapa da decisão editorial sobre este trabalho.
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