Self versus selfie: o arquétipo da sombra e o mal-estar na pós-modernidade
Palavras-chave:
arquétipo da sombra, pós-modernidade, Jung, individuação, personaResumo
Este artigo examina o arquétipo da sombra, tal como formulado por Jung, como chave de leitura do mal-estar contemporâneo associado à exposição permanente nas redes sociais. Parte-se de uma constatação de dupla face: a oferta técnica de meios para depurar a imagem de si cresceu em paralelo ao consumo de antidepressivos nas populações de alta renda. Argumenta-se que a coincidência não é casual, mas expressão de uma mesma operação psíquica — a hipertrofia da persona como resposta à ampliação indefinida da instância julgadora. Reconstitui-se o percurso conceitual que vai da tópica freudiana do recalque ao inconsciente coletivo junguiano, delimita-se a sombra como instância que abriga tanto traços recusados quanto potenciais não reconhecidos, e examina-se a projeção como seu modo privilegiado de retorno. Sustenta-se que o recalcamento da sombra não a suprime, mas a converte em sintoma: ansiedade difusa, sentimento de vazio, hostilidade dirigida ao semelhante. Na seção clínica, discute-se o manejo analítico do confronto com a sombra, com atenção às projeções cruzadas no vínculo transferencial. Conclui-se que a integração da sombra, e não sua supressão, constitui condição do processo de individuação.
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