O luto migratório e o objeto que não morreu: perda ambígua, individuação e os limites do modelo clássico do luto

Autores

  • Paloma Rudis Psicanalista clínica, Brasil Autor

Palavras-chave:

luto migratório, perda ambígua, duelo migratório, individuação, saúde mental de imigrantes

Resumo

Este artigo examina o luto migratório como categoria conceitual própria, irredutível ao modelo clássico do trabalho de luto. Parte-se de uma constatação que a literatura sobre o tema frequentemente dissolve: o objeto perdido na migração não morreu. A terra, a língua, a família e a paisagem continuam existindo, acessíveis por chamada de vídeo e por fotografia, e inacessíveis como mundo vivido. Essa condição — presença física e ausência psíquica simultâneas — torna inaplicável tanto a desligação progressiva descrita por Freud quanto a sequência de estágios formulada por Kübler-Ross para o luto por morte. O percurso mobiliza a noção de perda ambígua de Pauline Boss e o conceito de duelo migratório de Joseba Achotegui, situa a migração como crise do quadro de referência pela via da alegoria platônica da caverna, e examina, com Jung, a hipótese de que o deslocamento acelere o processo de individuação ao forçar o confronto com conteúdos sombrios. Sustenta-se que o luto migratório é recorrente e não terminável por elaboração definitiva, e que reconhecê-lo assim reorienta o acolhimento: não se trata de conduzir o sujeito à superação de uma perda, mas de sustentar a convivência com uma ausência que não se fecha.

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Publicado

06/20/2025

Como Citar

O luto migratório e o objeto que não morreu: perda ambígua, individuação e os limites do modelo clássico do luto. (2025). Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, 3(1), 42-49. https://editorial.interapia.org/index.php/interapia/article/view/46

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