Amor fati e a posição do sujeito diante do que não escolheu: alcance e limites de uma aproximação entre Nietzsche e a psicanálise

Autores

  • Viviane Nascimento de Carvalho Freitas Psicanalista clínica, Brasil Autor

Palavras-chave:

amor fati, Nietzsche, psicanálise, desejo, afirmação

Resumo

Este artigo examina a fórmula nietzschiana do amor fati e interroga em que plano ela pode ser aproximada da posição que a psicanálise atribui ao sujeito diante daquilo que não escolheu. O percurso reconstitui a formulação da fórmula em A gaia ciência, em Ecce homo e em Nietzsche contra Wagner, mostra sua dependência da hipótese do eterno retorno e a distingue das noções com que é correntemente confundida — resignação, conformismo, otimismo e aceitação passiva do sofrimento —, lembrando que Nietzsche a opõe explicitamente ao ressentimento. Em seguida, reconstitui três operações psicanalíticas convocadas pela literatura que faz a aproximação: a elaboração do luto em Freud, a insistência da repetição para além do princípio do prazer e a ética do desejo formulada por Lacan no Seminário 7. Sustenta-se que a aproximação não se sustenta no plano da equivalência conceitual — afirmar o necessário não é elaborar a perda, não é assumir a castração e não é o não ceder de seu desejo —, mas se sustenta no plano formal da posição do sujeito diante do que lhe foi imposto e não escolhido. Argumenta-se, por fim, que transformar a fórmula em prescrição terapêutica psicologiza a filosofia e empobrece ambos os campos.

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Publicado

30/04/2026

Como Citar

Amor fati e a posição do sujeito diante do que não escolheu: alcance e limites de uma aproximação entre Nietzsche e a psicanálise. (2026). Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, 4(1), 57-64. https://editorial.interapia.org/index.php/interapia/article/view/55

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