A cor como material de simbolização: uma leitura kleiniana da arteterapia

Autores

  • Jonathan Souza Dias Moreira Psicanalista clínico, Brasil Autor

Palavras-chave:

Melanie Klein, arteterapia, formação de símbolo, relações objetais, reparação

Resumo

Este artigo examina em que termos a teoria kleiniana da formação de símbolo pode fundamentar a leitura do uso da cor em arteterapia. Parte-se da constatação de que a arteterapia brasileira recorre com frequência a tabelas de correspondência entre cores e estados afetivos cuja origem é cultural e comercial, não psicanalítica, e que convivem mal com o referencial de relações objetais que essas mesmas práticas invocam. Argumenta-se que a contribuição kleiniana não está em atribuir significado a cores isoladas, mas em descrever as condições sob as quais um material expressivo qualquer passa a funcionar como símbolo: a tolerância à ambivalência, a passagem da posição esquizoparanoide à depressiva e o impulso reparatório que sustenta o gesto criador. A partir de Klein, Segal e Joseph, propõe-se deslocar a unidade de análise da cor escolhida para a relação do sujeito com o material e com o ato de escolher. Conclui-se que a leitura cromática tem valor como hipótese interpretativa a ser verificada no vínculo, e não como instrumento diagnóstico: não há validação psicométrica que autorize inferir estado psíquico a partir de cor, e o enquadre arteterapêutico deve explicitar esse limite.

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Publicado

12/19/2025

Como Citar

A cor como material de simbolização: uma leitura kleiniana da arteterapia. (2025). Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, 3(2), 47-53. https://editorial.interapia.org/index.php/interapia/article/view/2025-10-28

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