A psicanálise como instrumento de autoconhecimento: dispositivos, obstáculos e limites

Autores

  • Humberto Pessôa de Araujo Psicanalista clínico, Brasil Autor

Palavras-chave:

psicanálise, autoconhecimento, inconsciente, transferência, resistência

Resumo

Este artigo examina a psicanálise como instrumento de autoconhecimento, interrogando o que, nessa expressão corrente, a teoria freudiana autoriza e o que recusa. Sustenta-se que o conhecimento de si produzido pela análise não é ampliação da introspecção, mas operação de outra natureza: supõe que o sujeito não seja transparente a si mesmo e que o saber sobre o próprio funcionamento psíquico só se obtenha por vias indiretas, a partir de formações — sonhos, atos falhos, sintomas, repetições — que o eu não reconhece como suas. Reconstituem-se, a partir do corpus freudiano, os dispositivos técnicos que tornam esse saber acessível: a associação livre, a interpretação do sonho, a leitura dos atos falhos, o manejo da resistência e o da transferência. Argumenta-se que resistência e transferência, longe de serem obstáculos ao percurso, constituem seu material mais consequente, por tornarem presente na relação analítica aquilo que o relato não alcança. Discutem-se, por fim, os limites intrínsecos do empreendimento, tal como o próprio Freud os formulou em 1937: o autoconhecimento analítico é parcial, lento e sem termo garantido, e é precisamente essa finitude que o distingue das promessas de autotransparência que hoje circulam sob o mesmo nome.

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Publicado

20/12/2024

Como Citar

A psicanálise como instrumento de autoconhecimento: dispositivos, obstáculos e limites. (2024). Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, 2(1), 19-25. https://editorial.interapia.org/index.php/interapia/article/view/26

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