A psicanálise e o fenômeno da liderança: identificação, ideal do eu e os limites da transposição ao campo organizacional

Autores

  • Luciana Fátima Montozo Lima Psicanalista clínica, Brasil Autor

Palavras-chave:

psicanálise, liderança, psicologia das massas, ideal do eu, identificação

Resumo

Este artigo examina o fenômeno da liderança a partir da teoria psicanalítica, tomando como eixo a formulação de Psicologia das massas e análise do eu (1921), na qual Freud descreve o laço coletivo como efeito da colocação de um mesmo objeto no lugar do ideal do eu e da identificação recíproca que daí decorre. O percurso reconstitui a extensão da obra freudiana do campo clínico ao campo social, examina a estrutura do laço com a figura condutora e propõe três pares conceituais — transferência e contratransferência, projeção e introjeção, idealização e identificação — como operadores de leitura das relações entre quem dirige e quem é dirigido no mundo do trabalho. Sustenta-se que a contribuição da psicanálise a esse campo não consiste em acrescentar uma variável emocional ao repertório gerencial, mas em descrever uma dimensão do laço que a razão administrativa não alcança. Argumenta-se, por fim, que liderança como posição libidinal e liderança como competência de gestão são objetos distintos, submetidos a critérios distintos, e que a confusão entre os dois registros é o principal obstáculo à interlocução entre psicanálise e estudos organizacionais.

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Publicado

30/04/2026

Como Citar

A psicanálise e o fenômeno da liderança: identificação, ideal do eu e os limites da transposição ao campo organizacional. (2026). Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, 4(1), 18-25. https://editorial.interapia.org/index.php/interapia/article/view/34

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