A prática de exercícios físicos como coadjuvante no tratamento de pessoas com depressão

Autores

  • Ana Beatriz Millon Psicanalista clínica, Brasil Autor

Palavras-chave:

depressão, exercício físico, adesão ao tratamento, antidepressivos, saúde mental

Resumo

Este artigo examina o exercício físico sistematizado como recurso coadjuvante no tratamento do transtorno depressivo, a partir de uma dificuldade reconhecida da prática assistencial: a baixa adesão ao tratamento farmacológico, determinada sobretudo pela latência de resposta e pelos efeitos adversos que se manifestam antes do benefício clínico. O percurso é construído em três movimentos. Delimita-se inicialmente o objeto, distinguindo os usos do termo depressão — sentimento, sintoma, síndrome e doença — e os critérios que sustentam o diagnóstico. Examinam-se em seguida os limites do tratamento medicamentoso, tanto os de ordem farmacológica quanto os que derivam da expansão do conceito de depressão sobre situações ordinárias da vida. Reúne-se, por fim, a evidência disponível sobre exercício físico e sintomatologia depressiva, organizada em três planos de mecanismo: neuroquímico, psicológico e social. Sustenta-se que o exercício não constitui alternativa ao tratamento convencional nem dele é mero acessório higiênico: opera sobre dimensões que o fármaco não alcança — autoestima, imagem corporal, reinserção em laço social — e o faz com custo reduzido e perfil de efeitos adversos favorável. Discutem-se as condições de prescrição que essa posição impõe, em particular a inadequação de modalidades competitivas e de metas incompatíveis com o estado clínico do paciente.

Referências

BARDANACHVILI, E. Pesquisador alerta sobre os malefícios dos antidepressivos. Agência Fiocruz de Notícias, Rio de Janeiro, 2017.

CALIL, H. M.; GUERRA, A. B. G. Depressão: uma doença mental? Ciência Hoje, v. 34, n. 301, p. 28-37, 2004.

CASTRÉN, E.; VÕIKAR, V.; RANTAMÄKI, T. Role of neurotrophic factors in depression. Current Opinion in Pharmacology, v. 7, n. 1, p. 18-21, 2007.

CHEIK, N. C. et al. Efeitos do exercício físico e da atividade física na depressão e ansiedade em indivíduos idosos. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 11, n. 3, p. 45-52, 2003.

COYLE, C. P.; SANTIAGO, M. C. Aerobic exercise training and depressive symptomatology in adults with physical disability. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, v. 76, n. 7, p. 647-652, 1995.

DUNCAN, B. B.; SCHMIDT, M. I.; GIUGLIANI, E. R. J. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FLECK, M. P. A. et al. Revisão das diretrizes da Associação Médica Brasileira para o tratamento da depressão. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 31, supl. 1, p. S7-S17, 2009.

GRAEFF, F. G.; GUIMARÃES, F. S. Fundamentos de psicofarmacologia. São Paulo: Atheneu, 2005.

JARDIM, S. Depressão e trabalho: ruptura de laço social. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 36, n. 123, p. 84-92, 2011.

KNUTH, A. G. et al. Prática de atividade física e sedentarismo em brasileiros: resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008. Ciência & Saúde Coletiva, v. 16, n. 9, p. 3697-3705, 2011.

LAFER, B.; VALLADA FILHO, H. P. Genética e fisiopatologia dos transtornos depressivos. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 21, supl. 1, p. 12-17, 1999.

LOPES, K. M. D. C. Os efeitos crônicos do exercício físico aeróbio nos níveis de serotonina e depressão em mulheres com idade entre 50 e 72 anos. 2001. Dissertação (Mestrado) — Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2001.

MELLO, M. T. et al. O exercício físico e os aspectos psicobiológicos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 11, n. 3, p. 203-207, 2005.

MORAES, H. et al. O exercício físico no tratamento da depressão em idosos: revisão sistemática. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 29, n. 1, p. 70-79, 2007.

MOTA, J.; RIBEIRO, J. L.; CARVALHO, J. Atividade física e qualidade de vida associada à saúde em idosos participantes e não participantes em programas regulares de atividade física. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 20, n. 3, p. 219-225, 2006.

PORTO, J. A. D. Conceito e diagnóstico. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 21, supl. 1, p. 6-11, 1999.

RIBEIRO, A. G. et al. Antidepressivos: uso, adesão e conhecimento entre estudantes de medicina. Ciência & Saúde Coletiva, v. 19, n. 6, p. 1825-1833, 2014.

SOUZA, F. G. M. Tratamento da depressão. Revista Brasileira de Psiquiatria, v. 21, supl. 1, p. 18-23, 1999.

STAHL, S. M. Psychopharmacology of antidepressants. London: Martin Dunitz, 1997.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Relatório sobre a saúde no mundo 2001: saúde mental — nova concepção, nova esperança. Genebra: OMS, 2001.

Downloads

Publicado

12/20/2023

Como Citar

A prática de exercícios físicos como coadjuvante no tratamento de pessoas com depressão. (2023). Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, 1(1), 40-46. https://editorial.interapia.org/index.php/interapia/article/view/8

Artigos Semelhantes

1-10 de 27

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.