A prática de exercícios físicos como coadjuvante no tratamento de pessoas com depressão
Palavras-chave:
depressão, exercício físico, adesão ao tratamento, antidepressivos, saúde mentalResumo
Este artigo examina o exercício físico sistematizado como recurso coadjuvante no tratamento do transtorno depressivo, a partir de uma dificuldade reconhecida da prática assistencial: a baixa adesão ao tratamento farmacológico, determinada sobretudo pela latência de resposta e pelos efeitos adversos que se manifestam antes do benefício clínico. O percurso é construído em três movimentos. Delimita-se inicialmente o objeto, distinguindo os usos do termo depressão — sentimento, sintoma, síndrome e doença — e os critérios que sustentam o diagnóstico. Examinam-se em seguida os limites do tratamento medicamentoso, tanto os de ordem farmacológica quanto os que derivam da expansão do conceito de depressão sobre situações ordinárias da vida. Reúne-se, por fim, a evidência disponível sobre exercício físico e sintomatologia depressiva, organizada em três planos de mecanismo: neuroquímico, psicológico e social. Sustenta-se que o exercício não constitui alternativa ao tratamento convencional nem dele é mero acessório higiênico: opera sobre dimensões que o fármaco não alcança — autoestima, imagem corporal, reinserção em laço social — e o faz com custo reduzido e perfil de efeitos adversos favorável. Discutem-se as condições de prescrição que essa posição impõe, em particular a inadequação de modalidades competitivas e de metas incompatíveis com o estado clínico do paciente.
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