Eu e nós: individualidade, vínculo inconsciente e trabalho em equipe — contribuições da psicanálise dos grupos para a gestão nas organizações

Autores

  • Paula Pessoa de Araújo Mello Psicóloga (CRP 06/57888), Brasil Autor

Palavras-chave:

psicanálise de grupos, subjetividade no trabalho, vínculo inconsciente, gestão de equipes, psicodinâmica do trabalho

Resumo

Este artigo examina a tensão entre singularidade subjetiva e pertencimento grupal no trabalho em equipe, e interroga o que a psicanálise pode e o que não pode oferecer à gestão de pessoas nas organizações. O percurso reconstitui três elaborações sucessivas: a descrição freudiana do laço grupal como efeito da colocação de um objeto comum no lugar do ideal do eu e da identificação recíproca que daí decorre; a distinção de Bion entre o grupo de trabalho e os pressupostos básicos que o perturbam; e a formulação de Kaës sobre as alianças inconscientes que sustentam o vínculo e, ao mesmo tempo, exigem de cada sujeito uma renúncia. A essas contribuições soma-se a psicodinâmica do trabalho, que desloca o sofrimento laboral do registro da fragilidade individual para o da organização real do trabalho. Sustenta-se que a individualidade não é um atributo a ser preservado contra o grupo, mas aquilo que o próprio laço constitui e recorta; e que a leitura psicanalítica, ao recusar tanto a homogeneização da equipe quanto a psicologização do conflito, devolve à gestão uma responsabilidade que não é clínica. Delimita-se, por fim, o que a transposição não autoriza: o gestor não escuta como analista, não interpreta e não conduz tratamento.

Referências

ANZIEU, D. O grupo e o inconsciente: o imaginário grupal. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1993.

BION, W. R. Experiências com grupos: os fundamentos da psicoterapia de grupo. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

DEJOURS, C. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1992.

DEJOURS, C. A banalização da injustiça social. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1999.

ENRIQUEZ, E. A organização em análise. Petrópolis: Vozes, 1997.

FREUD, S. Recordar, repetir e elaborar (1914). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 12. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 163-171.

FREUD, S. Conferências introdutórias sobre psicanálise (1916-1917). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 15-16. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

FREUD, S. Psicologia das massas e análise do eu (1921). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 18. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 77-154.

FREUD, S. O mal-estar na civilização (1930). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 21. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 67-148.

GOLEMAN, D. Liderança: a inteligência emocional na formação do líder de sucesso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.

KAËS, R. O grupo e o sujeito do grupo: elementos para uma teoria psicanalítica do grupo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.

KAËS, R. Um singular plural: a psicanálise à prova do grupo. São Paulo: Loyola, 2011.

LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J.-B. Vocabulário da psicanálise. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

WINNICOTT, D. W. O ambiente e os processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1983.

ZIMERMAN, D. E. Fundamentos básicos das grupoterapias. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Downloads

Publicado

30/04/2026

Como Citar

Eu e nós: individualidade, vínculo inconsciente e trabalho em equipe — contribuições da psicanálise dos grupos para a gestão nas organizações. (2026). Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, 4(1), 26-33. https://editorial.interapia.org/index.php/interapia/article/view/48

Artigos Semelhantes

1-10 de 43

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.