O envelhecimento sob o olhar da psicanálise: subjetividade e cuidados clínicos
Palavras-chave:
envelhecimento, psicanálise, luto, narcisismo, clínica com pessoas idosasResumo
O envelhecimento não se reduz a processo biológico nem a categoria demográfica: constitui-se como trabalho psíquico, atravessado por lutos sucessivos, por reposicionamentos narcísicos e por exigências de simbolização que incidem diretamente sobre a prática clínica. Este artigo examina o que a psicanálise tem a dizer sobre esse trabalho e quais consequências técnicas decorrem dessa escuta. Procede-se em três movimentos: situa-se a transição demográfica brasileira e o marco normativo que a acompanha; reconstituem-se as formulações de Freud, Klein, Winnicott, Lacan e Jung que sustentam uma teoria psicanalítica do envelhecer; e discutem-se as adaptações de enquadre, de manejo transferencial e de mediação simbólica que a clínica com pessoas idosas requer. Argumenta-se que a velhice não é objeto novo para a psicanálise, mas revelador de um impasse antigo: a suposição, presente no próprio Freud de 1905, de que o aparelho psíquico perderia plasticidade com a idade. Sustenta-se a tese contrária — de que o inconsciente desconhece a cronologia — e demonstra-se que ela não é consolo retórico, mas premissa técnica, da qual dependem tanto a indicação do tratamento quanto a recusa de interpretar como declínio aquilo que é conflito.
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