A psicanálise no processo do luto antecipatório: enfrentamento da morte e ressignificação da vida
Palavras-chave:
luto antecipatório, trabalho de luto, finitude, cuidados paliativos, escuta psicanalíticaResumo
O luto antecipatório designa o conjunto de processos psíquicos e relacionais que se instalam entre o diagnóstico de uma condição sem possibilidade de cura e a morte efetiva, configurando uma elaboração que se inicia antes da perda concreta. Este artigo examina esse processo e interroga o que a escuta psicanalítica pode oferecer ao paciente, à família e à equipe que o atravessam. Procede-se por revisão narrativa de literatura, de natureza teórico-conceitual, articulando a formulação freudiana do trabalho de luto, as contribuições kleiniana e winnicottiana sobre perda e reparação, e a literatura sobre terminalidade e cuidados paliativos. Confrontam-se, em seguida, os principais modelos descritivos do luto — estágios, fases e tarefas — quanto à unidade que adotam e às implicações clínicas de cada um. Argumenta-se que o luto antecipatório não é um luto em miniatura nem um adiantamento que subtrai sofrimento ao luto posterior, mas um tempo de elaboração com economia própria, marcado pela coexistência entre presença física e ausência simbólica do objeto. Conclui-se que a contribuição específica da psicanálise nesse campo reside menos em protocolos de intervenção do que na oferta de um lugar de escuta que sustente a ambivalência e devolva ao sujeito a autoria sobre a própria despedida.
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