A constituição do sujeito na infância: a função do Outro na psicanálise freudiana e lacaniana
Palavras-chave:
constituição do sujeito, infância, Outro simbólico, estádio do espelho, complexo de ÉdipoResumo
Este artigo examina a constituição do sujeito na infância sob a perspectiva psicanalítica, tomando a função do Outro como operador simbólico do processo. O percurso reconstitui a formulação freudiana da sexualidade infantil e do complexo de Édipo, acompanha a releitura lacaniana que situa a emergência do eu no estádio do espelho e a do sujeito na ordem do significante, e examina a tese, hoje consensual na literatura do campo, de que as funções materna e paterna designam posições simbólicas e não atributos biológicos ou arranjos familiares determinados. Sustenta-se que a subjetividade da criança não é dado natural, mas efeito de relações simbólicas e imaginárias mediadas pela linguagem e pelo desejo do Outro. Dedica-se atenção particular à demarcação entre tradições teóricas que o debate sobre infância tende a sobrepor: estádio do espelho, objeto transicional, posição depressiva, estágio sensório-motor e mediação semiótica nomeiam operações distintas, formuladas em epistemologias incompatíveis entre si, e o ganho de inteligibilidade obtido por sua justaposição é aparente. Conclui-se que o cuidado com a infância supõe a oferta de um lugar simbólico à criança e uma escuta orientada pela singularidade, e que a psicanálise contribui para esse campo como modo de leitura, não como técnica de intervenção desenvolvimental.
Referências
DOLTO, F. A imagem inconsciente do corpo. São Paulo: Perspectiva, 1992.
FREUD, S.; BREUER, J. Estudos sobre a histeria (1893-1895). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 2. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 7. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 117-231.
FREUD, S. Sobre o narcisismo: uma introdução (1914). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 14. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 77-108.
FREUD, S. O inconsciente (1915). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 14. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 165-222.
FREUD, S. Além do princípio de prazer (1920). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 18. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 13-75.
FREUD, S. O ego e o id (1923). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 19. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 13-80.
FREUD, S. A dissolução do complexo de Édipo (1924). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 19. Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 191-199.
JERUSALINSKY, A. Psicanálise e desenvolvimento infantil: um enfoque transdisciplinar. 4. ed. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2004.
KLEIN, M. Inveja e gratidão e outros trabalhos (1946-1963). Rio de Janeiro: Imago, 1991.
KUPFER, M. C. Educação para o futuro: psicanálise e educação. São Paulo: Escuta, 2000.
LACAN, J. O estádio do espelho como formador da função do eu (1949). In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. p. 96-103.
LACAN, J. O seminário, livro 5: as formações do inconsciente (1957-1958). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.
LACAN, J. O seminário, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (1964). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J.-B. Vocabulário da psicanálise. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
PIAGET, J. O nascimento da inteligência na criança. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
WINNICOTT, D. W. Textos selecionados: da pediatria à psicanálise. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1983.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Categorias
Licença
Direitos autorais (c) 2025 Silvia Harumi Yamamoto

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Termos da Licença
Todos os artigos publicados na Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais estão licenciados sob a:
Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional (CC BY-NC 4.0)
Isso significa que os autores mantêm os direitos autorais sobre suas obras e concedem à revista o direito exclusivo de primeira publicação, permitindo que terceiros compartilhem, distribuam e reutilizem o conteúdo, desde que:
Seja atribuída autoria apropriada, com citação clara da revista e dos autores;
O uso seja exclusivamente não comercial;
Em caso de adaptações ou transformações, a fonte original seja igualmente mencionada.
É expressamente vedado o uso comercial do conteúdo sem autorização prévia e por escrito dos autores e da equipe editorial da revista.
Citação recomendada:
SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, v. X, n. Y, p. XX–XX, mês/ano.
Disponível em: [link para o artigo].
Licenciado sob CC BY-NC 4.0.