Inconsciente coletivo e inconsciente social: uma distinção necessária para a psicanálise social das relações sociais

Autores

  • Cassia Aparecida Moises de Aquino Docente do curso de Psicanálise, Academia Enlevo, Brasil Autor

Palavras-chave:

inconsciente social, inconsciente coletivo, psicanálise social, subjetividade, opinião pública

Resumo

Este artigo examina a tese de que processos inconscientes compartilhados estruturam as relações sociais, os discursos midiáticos e a formação da opinião pública, e submete essa tese a uma distinção conceitual frequentemente omitida: a que separa o inconsciente coletivo da psicologia analítica junguiana do inconsciente social elaborado na tradição grupanalítica. O primeiro é postulado como camada filogenética da psique, povoada por arquétipos de alcance trans-histórico; o segundo designa o conjunto de arranjos, ansiedades e defesas que uma formação social determinada institui e transmite, e cuja matriz é histórica, não herdada. Argumenta-se que confundir os dois planos enfraquece precisamente a leitura crítica que a psicanálise social pretende oferecer, porque faz passar por arquetípico aquilo que é produto de história e de relações de poder. O percurso é teórico-conceitual: reconstitui-se cada noção em seus próprios termos, examina-se sua aplicação a três objetos — a formação da identidade nacional brasileira, a desmentida de traumatismos coletivos e o enquadramento midiático de papéis de gênero — e discutem-se os limites de operacionalização do campo. Conclui-se que a distinção, longe de enfraquecer a tese inicial, delimita com maior precisão aquilo que a psicanálise social pode efetivamente explicar.

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Publicado

19/12/2025

Como Citar

Inconsciente coletivo e inconsciente social: uma distinção necessária para a psicanálise social das relações sociais. (2025). Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, 3(2), 5-11. https://editorial.interapia.org/index.php/interapia/article/view/17

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