Desempenho esportivo e construção da identidade na adolescência: uma leitura psicanalítica do eu e do ambiente
Palavras-chave:
adolescência, identidade, eu, esporte, psicanáliseResumo
Este artigo examina, em chave psicanalítica, a participação do desempenho esportivo na construção da identidade e na organização do eu durante a adolescência. Parte-se da formulação freudiana do eu como instância mediadora e da tese eriksoniana da adolescência como crise de identidade para interrogar o que o campo esportivo oferece ao trabalho psíquico desse período: um conjunto regrado de experiências de ganho e perda, um grupo de pares, figuras de autoridade investidas como modelos identificatórios e um corpo convocado a desempenhar. Sustenta-se que o esporte não exerce efeito unívoco sobre a estruturação psíquica. Ele opera como ambiente sustentador e espaço potencial quando há quem acolha e dê forma à frustração; converte-se em dispositivo de alienação subjetiva quando o valor do adolescente passa a coincidir com seu rendimento. Entre esses dois destinos situam-se fenômenos descritos pela literatura clínica — a identidade esportiva exclusiva, a projeção parental de desejos não realizados, a competição precoce e a lógica do alto rendimento. Discute-se ainda o futebol como campo simbólico de pertencimento na cultura brasileira. Conclui-se que o fator decisivo não é a prática esportiva em si, mas a existência, em torno dela, de condições que sustentem o adolescente como sujeito e não apenas como executante.
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