Freud e o problema da subjetividade: do cogito cartesiano ao sujeito dividido
Palavras-chave:
subjetividade, psicanálise, Freud, inconsciente, filosofiaResumo
Este artigo examina o lugar da psicanálise freudiana na história filosófica do conceito de subjetividade. A hipótese sustentada é que Freud não se limitou a acrescentar um novo objeto — o inconsciente — a um sujeito previamente definido pela filosofia moderna, mas deslocou o próprio eixo em torno do qual esse sujeito havia sido pensado desde Descartes. O percurso reconstitui a linhagem que vai do cogito cartesiano ao sujeito transcendental kantiano e, dali, às críticas de Schopenhauer e Nietzsche à primazia da razão; analisa em seguida a formulação freudiana do inconsciente e a segunda tópica, mostrando em que medida radicalizam aquelas críticas em vez de herdá-las; e confronta, por fim, o descentramento freudiano com as objeções de Foucault e Derrida e com as leituras afirmativas de Marcuse e Ricoeur. Argumenta-se que a contribuição decisiva de Freud não reside na afirmação da existência de processos psíquicos não conscientes, já disponível antes dele, mas na demonstração de que esses processos obedecem a uma lógica própria, conflitiva e interpretável — o que converte a opacidade do sujeito a si mesmo em objeto de método, e não em limite do conhecimento.
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