Conceitos fundamentais da psicanálise freudiana e sua sustentação empírica contemporânea
Palavras-chave:
Freud, inconsciente, repressão, transferência, epistemologia da psicanáliseResumo
Este artigo revisa quatro conceitos estruturantes da psicanálise freudiana — inconsciente, repressão, transferência e trabalho do sonho — e examina em que medida cada um deles encontrou, ao longo do século XX e início do século XXI, correspondência em programas de pesquisa empírica alheios à tradição psicanalítica. O percurso é duplo: reconstitui-se primeiro a formulação original de cada conceito no corpus freudiano, situando-a no momento clínico e teórico em que foi produzida; em seguida, confrontam-se essas formulações com achados da psicologia cognitiva, da neurociência do sono e da pesquisa em processo psicoterapêutico. Argumenta-se que a questão da cientificidade da psicanálise foi frequentemente mal colocada, por tratar o edifício freudiano como um bloco único a ser aceito ou rejeitado em conjunto, quando suas proposições possuem graus muito desiguais de testabilidade. Conclui-se que a convergência observada não valida retroativamente a metapsicologia, mas desloca o debate: não se trata de perguntar se a psicanálise é ciência, e sim quais de suas proposições são testáveis, por quais meios e com que consequências para a prática clínica.
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