O luto na psicanálise: perda, elaboração e simbolização em Freud, Jung, Horney, Klein, Lacan e Kübler-Ross
Palavras-chave:
luto, melancolia, perda objetal, psicanálise, elaboração psíquicaResumo
Este artigo examina como seis referenciais do campo psicanalítico — Freud, Jung, Horney, Klein, Lacan e Kübler-Ross — formularam o problema do luto, e sustenta que a noção de perda que cada um mobiliza não se restringe à morte de um ente querido. Parte-se da formulação freudiana de 1917, que define o luto como trabalho psíquico de desligamento libidinal governado pelo teste de realidade, e da distinção entre luto e melancolia que dela decorre. Acompanham-se em seguida quatro deslocamentos dessa matriz: a leitura junguiana do luto como etapa da individuação; a ênfase de Horney sobre a modulação cultural da ansiedade diante da perda; a tese kleiniana da reativação da posição depressiva e dos objetos internos; e a reformulação lacaniana do luto como furo no registro simbólico, reparável pela via do rito. O modelo de fases de Kübler-Ross é examinado à parte, por pertencer a outra ordem de descrição. Argumenta-se que tais divergências incidem menos sobre a existência do trabalho de luto do que sobre onde localizar a perda — no objeto, no eu, no símbolo ou no laço social — e que dessa localização decorrem orientações clínicas distintas.
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