A interpretação dos sonhos e o legado freudiano na psicanálise contemporânea: do conteúdo latente ao trabalho de construção

Autores

  • Juliana Mozat Psicanalista clínica, Brasil Autor

Palavras-chave:

Freud, interpretação dos sonhos, trabalho do sonho, realização de desejo, método psicanalítico

Resumo

Este artigo reexamina A interpretação dos sonhos (1900) e discute o alcance do legado freudiano sobre o sonho na psicanálise contemporânea. Sustenta-se que a permanência dessa obra não decorre da sobrevivência de suas teses substantivas, mas da invenção de um procedimento: o sonho deixa de ser signo a ser lido num código e passa a ser texto a ser produzido no trabalho associativo do analisando. Três operações conceituais organizam o percurso. A primeira recupera a distinção entre conteúdo manifesto e conteúdo latente, frequentemente reduzida à oposição entre aparência e significado oculto, e mostra que o latente não preexiste à análise como mensagem cifrada. A segunda reconstitui as quatro operações do trabalho do sonho — condensação, deslocamento, consideração à figurabilidade e elaboração secundária — e examina o efeito específico de cada uma sobre o material manifesto e sobre as condições da interpretação. A terceira isola a tese de 1900 segundo a qual todo sonho realiza um desejo e acompanha sua revisão em 1920, quando os sonhos traumáticos obrigam Freud a reconhecer uma repetição que não se deixa reduzir à satisfação disfarçada. Conclui-se que o legado operativo da obra está no método, e que o diálogo com a neuropsicanálise ilumina a ancoragem motivacional do sonhar sem restituir a teoria do conteúdo latente.

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Publicado

30/06/2025

Como Citar

A interpretação dos sonhos e o legado freudiano na psicanálise contemporânea: do conteúdo latente ao trabalho de construção. (2025). Interapia – Revista de Clínica, Cultura e Ciências Mentais, 3(1), 13-20. https://editorial.interapia.org/index.php/interapia/article/view/40

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