Transferência e vínculo afetivo na relação professor-aluno: contribuições psicanalíticas para pensar a escola como espaço de subjetivação
Palavras-chave:
transferência, psicanálise e educação, vínculo afetivo, relação professor-aluno, subjetivaçãoResumo
Este artigo examina o conceito psicanalítico de transferência como instrumento de leitura dos vínculos afetivos que se constituem na relação entre professor e aluno. O percurso reconstitui a formulação freudiana da transferência como repetição e deslocamento de disposições afetivas infantis, acompanha a releitura lacaniana que a situa na função do sujeito suposto saber, e mobiliza a noção winnicottiana de ambiente suficientemente bom para pensar a função de sustentação exercida pela escola. Em seguida, confronta essas elaborações com a tradição pedagógica brasileira, em particular com a ética do diálogo de Paulo Freire e com sua crítica à nomeação da professora como tia, e com a literatura de interface entre psicanálise e educação. Sustenta-se que a transferência não é fenômeno restrito ao dispositivo analítico, mas condição estrutural de todo laço em que se supõe saber ao outro, e que reconhecê-la na escola não psicologiza o trabalho docente, mas devolve ao vínculo educativo sua dimensão ética. Argumenta-se, por fim, que a transposição do conceito exige cautela: o professor não ocupa o lugar do analista, não interpreta e não conduz tratamento, e é precisamente a delimitação desse limite que torna a contribuição psicanalítica utilizável na formação de educadores.
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