Eu e nós: individualidade, vínculo inconsciente e trabalho em equipe — contribuições da psicanálise dos grupos para a gestão nas organizações
Palavras-chave:
psicanálise de grupos, subjetividade no trabalho, vínculo inconsciente, gestão de equipes, psicodinâmica do trabalhoResumo
Este artigo examina a tensão entre singularidade subjetiva e pertencimento grupal no trabalho em equipe, e interroga o que a psicanálise pode e o que não pode oferecer à gestão de pessoas nas organizações. O percurso reconstitui três elaborações sucessivas: a descrição freudiana do laço grupal como efeito da colocação de um objeto comum no lugar do ideal do eu e da identificação recíproca que daí decorre; a distinção de Bion entre o grupo de trabalho e os pressupostos básicos que o perturbam; e a formulação de Kaës sobre as alianças inconscientes que sustentam o vínculo e, ao mesmo tempo, exigem de cada sujeito uma renúncia. A essas contribuições soma-se a psicodinâmica do trabalho, que desloca o sofrimento laboral do registro da fragilidade individual para o da organização real do trabalho. Sustenta-se que a individualidade não é um atributo a ser preservado contra o grupo, mas aquilo que o próprio laço constitui e recorta; e que a leitura psicanalítica, ao recusar tanto a homogeneização da equipe quanto a psicologização do conflito, devolve à gestão uma responsabilidade que não é clínica. Delimita-se, por fim, o que a transposição não autoriza: o gestor não escuta como analista, não interpreta e não conduz tratamento.
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